Ele riu. Romantizar a realidade sempre lhe parecia extremamente medíocre, mas ele não conseguia resistir. Mesmo sabendo que não haveria dor alguma, pois seu trabalho era monótono, sem graça. Bem diferente das histórias que lera na infãncia e que o fizeram optar pelo ramo de detetives. Quer dizer, essa opção era mais profundamente motivada pela falta de emprego, do que por qualquer sonho pueril, mas como dito antes, ele gostava de fantasiar a vida.
Um farol vermelho. Distração. Lembranças de fatos e fantasias. O som de pneus deslizando no asfalto, enquanto freiam desesperados. Era um carro, vindo da esquerda. Quase batera. Tudo embaralhado. Nem palavrões que o outro motorista gritava faziam sentido.
Uma centena de metros depois, ele para. Desce do carro, tonto, senta-se no passeio e respira. Por muito pouco ele quase morreu, quase morreu de verdade. A confusão desaparece num segundo, jogada para fora junto com o vomito, que salta de sua boca para o asfalto frio.
Minutos depois, de volta à direção. Ele ria novamente. Quase morrera, mas deveria saber que não morreria. Não de forma tão pouco heróica, tão pouco paladinesca. Riu, mas sentiu, na boca, os resquícios do gosto amargo, que nem mesmo o mais forte drops de hortelã poderia encobrir.
...
Uma centena de metros depois, ele para. Desce do carro, tonto, senta-se no passeio e respira. Por muito pouco ele quase morreu, quase morreu de verdade. A confusão desaparece num segundo, jogada para fora junto com o vomito, que salta de sua boca para o asfalto frio.
Minutos depois, de volta à direção. Ele ria novamente. Quase morrera, mas deveria saber que não morreria. Não de forma tão pouco heróica, tão pouco paladinesca. Riu, mas sentiu, na boca, os resquícios do gosto amargo, que nem mesmo o mais forte drops de hortelã poderia encobrir.
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