Fitou o relógio. Meia-noite e trinta e dois. Mais de meia hora de atraso. Ele não iria esperar. Vestiu a blusa que trazia, bebeu o último gole de refrigerante e saiu.
Ele não bebia nada alcoólico naquela noite, ou melhor, em noites como aquela. Quando estava deprimido gostava de ficar sóbrio, ajudava a pensar melhor. Pensar, algum sábio morto já disse que pensar é o ato mais masoquista do ser-humano. Se não disse, deveria ter dito.
Abriu a porta do carro e entrou. Nada muito especial. Por ai, todas as noites, há dezenas de carros sendo entrados pelas pessoas. Ou talvez, o que há de especial esteja ai. A vida não permite protagonistas, apenas coadjuvantes, todos juntos, todos separados, todos perdidos.
Enquanto acelereva o veículo e mudava a marcha, ele se questionava. Por que ela se atrasara tanto? Ela nunca se atrasava, ainda mais quando sabia que ele estava disposto a pagar. Algo provavelmente acontecera. Mas não era problema, nem culpa dele. De fato, como a maioria de nós, ele tinha dificuldade em descobrir onde começava e onde acabava sua culpa.
Não importava. Sem os carinhos da puta que era, antes de tudo, sua amiga, ele estava tenso. Nada de prazer antes da dor. A gente sempre busca o prazer, antes da dor.
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